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​A voz que carrega outros: um ensaio sobre a persona e os ancestrais, pensando com Emir Tomazelli e Sílvia Nogueira:

​ Há frases que chegam como quem acende uma luz em um canto antigo da casa. Uma delas me atravessou assim:  sua voz persona, por ela passam todos os ancestrais . Desde então, venho tentando compreender esse alcance — não como teoria, mas como experiência sensível do que significa falar carregada. A voz nunca é só biológica. Ela nasce de uma história, de respirações que vieram antes, de silêncios que moldaram o ouvido, de modos de pausa e de urgência que não se aprendem em cursos de dicção. A voz é uma superfície onde o sujeito aparece acompanhado de tudo aquilo que o antecede, inclusive o que ele nunca nomeou. A “persona”, nesse sentido, não é máscara, nem personagem. É o ponto onde o eu se deixa ver, mesmo quando tenta se esconder. Quando se diz que “por ela passam todos os ancestrais”, trata-se de uma ancestralidade psíquica, não genética. Um campo de transmissão que inclui gestos maternos, desejos não ditos, vergonhas herdadas, resistências antigas e uma maneira particular de so...

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Mimetismo, identificação e estilo na presença do sujeito, c.f